quarta-feira, 30 de Julho de 2014

SOU AMADA POR DEUS


Sou Ir. Maria Mendes, Missionária Serva do Espírito Santo. Comecei a sentir a vocação missionária quando tinha 9 anos de idade. Sou duma família em que a fé era vivida ao ritmo da vida e de forma simples. Todos os dias rezávamos o terço em família. Tínhamos de ir à missa todos os domingos. O meu pai sempre nos contava as histórias dos missionários que entregaram as suas vidas e partiram para muito longe para ajudar as pessoas em necessidade. Isso ajudou-me a abrir o coração e a pensar que eu também poderia, um dia, fazer o mesmo.
Os meus pais eram muito simples. Eles educaram-nos a viver a fé cristã. Creio que a sua educação influencia muito o meu modo de estar e agir, pois caracteriza a minha história pessoal que traduz o que sou hoje.
Fiz a minha formação religiosa em Timor Ocidental e, depois dos primeiros votos em 1995, fui enviada a Timor Leste, minha terra natal. A experiência que vivi e os factos que presenciei, especialmente em 1999, foram duros demais. O povo passou pelas experiências de muita dor, desespero, tristeza, sofrimentos e uma situação de trevas. Gostaria de dizer que os religiosos e religiosas que trabalharam em Timor Leste, nessa altura da história, trouxeram perdão, paz, esperança, consolo, alegria. Éramos segurança e proteção, dando um grande contributo à vida dos timorenses, alguns com a sua própria vida. Naquele momento eu tinha certeza de que Deus estava comigo. Senti muita força e coragem para lutar e estar ao lado do povo. Mesmo estando cansada, sentia dentro de mim o desafio de continuar e não desanimar. Fiquei no meio das pessoas que fugiram e acompanhei-as, rezando o terço. Ficámos sempre em oração, entregando tudo nas mãos de Deus. Como consequência de todo esse trabalho e com as consequências que dele deriva, depois do referendo em 1999, tive que fugir de Timor para as Filipinas por causa da situação política. Fiz os meus votos perpétuos nas Filipinas e lá recebi o destino missionário para Portugal que tanto desejava.
Cheguei a Portugal, terra do meu sonho, no fim do ano de 2001 e integrei-me na comunidade de Casal de Cambra. Comecei a aprender a língua de Camões e, aos poucos, ia conhecendo a realidade e as diferentes actividades que existem na paróquia das quais participava com a minha presença e interesse por descobrir cada dia coisas novas.
Tenho tido, felizmente, muitas oportunidades na minha missão aqui em Portugal através da minha congregação. Os momentos como a oração, a formação pessoal e permanente, as animações missionárias, a catequese e outras experiências apostólicas ajudam-me a ir descobrindo o desejo de partilhar a minha vida para que os outros possam descobrir também a alegria de viver. As pessoas que encontro no campo da missão são muito acolhedoras. Sinto que tenho lugar no coração deste povo. O que recebo das pessoas é muito mais do que aquilo que eu possa dar. Eu sinto-me profundamente amada por Deus.
Olhando para trás, pelas experiências dolorosas que passei na minha pátria, Deus fez-me crescer. Nas situações mais complicadas senti fortemente que Deus é o meu Salvador. Aquela experiência desafiou-me a crescer mais na fé, na esperança e na caridade. Não me sinto sozinha, tenho o apoio de toda a minha família e as minhas irmãs da comunidade. A oração e o carinho de todos fazem parte do meu dia-a-dia.
Manifesto a minha profunda gratidão a Portugal e sobretudo aos missionários portugueses que trouxeram o grão de mostarda do Evangelho, há quase quinhentos anos atrás, para o nosso país e hoje, como timorense e com todos os timorenses, podemos dizer que o grão transformou-se em árvore ramoso. E um dos ramos sou eu próprio. Creio que a minha presença em Portugal não é mais para evangelizar mas, sobretudo, para testemunhar a minha própria fé.
Agradeço a Deus pelas experiências vividas nas diferentes etapas do meu crescimento. Amei e amo cada uma delas e procuro viver, aproveitando sempre o máximo.
Portugal, 2014

terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

A Grandeza do silêncio

O silêncio é doçura:
Quando não respondes às ofensas,
Quando não reclamas os teus direitos,
Quando deixas à Deus a defesa da tua honra.

O silêncio é misericórdia:
Quando te calas diante das faltas de teus irmãos,
Quando perdoas sem remoer o passado,
Quando não condenas, mas intercedes em segredo.

O silêncio é paciência:
Quando sofres sem te lamentares,
Quando não procuras consolação junto aos homens,
Quando não intervéns, esperando que a semente germine lentamente.

O silêncio é humildade:
Quando te apagas para deixar aparecer teu irmão,
Quando, na discrição, revelas dons de Deus,
Quando suportas que tuas ações sejam mal interpretadas,
Quando deixas os outros a glória da obra inacabada.

O silêncio é fé:
Quando te apagas, sabendo que é Ele quem age...
Quando renuncias às vozes do mundo para permanecer na Sua
presença...
Quando te basta que só Ele te compreenda

terça-feira, 18 de Fevereiro de 2014

“Deus é Amor”

Deus ama-te.  Eis o grande mistério, a mais extraordinária maravilha.  Sim, Deus ama-te apaixonadamente, tal como és, com os teus defeitos e qualidades, com os teus pecados, fracassos, com toda a tua fragilidade e pobreza.  O Senhor é um Deus apaixonado por ti.  Deus é amor e não pode, não sabe, não é capaz de fazer outra coisa senão amar-te, gostar de ti e querer-te bem.
A cada instante, Ele te susurra amorosamente: “Eu, o Senhor teu Deus, amo-te.  Tu, para Mim, és importante.  Amo-te como és, amo-te porque não sei fazer outra coisa.  Amo-te, mesmo conhecendo o teu pecado e a tua miséria”. É assim que te fala o Senhor.  Escuta-O e ouvirás, dentro de ti, a sua divina voz, a segredar-te o mistério do seu amor louco e apaixonado.
O Senhor ama-te porque Ele é bom, porque é amor.  Não está à espera que tu sejas anjo ou santo para te amar.
Ele sabe que és barro, que és frágil e por isso ama-te, e quer-te bem.  Não duvides deste amor e abre-te a Ele.  Deixa Deus amar-te, abraçar-te, beijar-te e acariciar-te como faz o Pai do pródigo.  Não fujas, não recues, não te afastes, não coloques obstáculos.  Deixa-te amar por Deus.
Dom após dom, graça após graça, a tua vida é a história do seu amor.  Porque ainda duvidas?  Porque não te abres a essa loucura apaixonada do amor do teu Deus?  Porque não fazes silêncio, vazio interior, para, com coração pobre e humilde, olhares a torrencial do seu amor infinito?
Antes de pensares nos teus pecados, contempla o amor que Deus tem por ti, antes de olhares as tuas misérias, descobre a ternura amorosa do teu Deus. Vai-te convencendo, pelo poder da oração, que és alguém importante para Deus e que Ele te ama com um amor sempre novo.
O teu pecado não afasta Deus de ti.  Antes pelo contrário, Ele aproxima-Se para te tocar, abraçar e para te curar.  O teu Deus não Se envergonha de ti, não tem repugnância pela tua miséria, não Se afasta escandalizado pela tua miséria.  Convence-te, cada dia sempre mais, que Ele não é capaz de deixar de te amar.
Exulta de alegria com esta certeza, vive confiado nesta verdade, assume com encanto esta realidade.  E tudo, na tua vida, será diferente, ficará transformado, será vivido de outro modo.



in Sinfonias do Amor de Dário Pedroso

quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2014

ORAÇÃO DA MANHÃ

Senhor!
Enche de esperança o meu coração
e de doçura os meus lábios!
Põe em meus olhos a luz que acaricia e purifica;
em minhas mãos, o gesto que perdoa.
Dá-me valentia para a luta,
compaixão para as injúrias,
misericórdia para a ingratidão e a injustiça.
Livra-me da inveja e da ambição mesquinha,
do ódio e da vingança.
E que, quando eu voltar hoje
para o calor de minha cama,
possa, no mais íntimo de meu ser,
sentir que estás presente.
Amém!

Autor: Frei Ignácio Larrañaga.

ORAÇÃO DA NOITE

Meu pai, agora que as vozes silenciaram e os clamores se apagaram, aqui ao pé da cama minha alma se eleva a Ti para dizer: creio em Ti, espero em Ti, amo-te com todas as minhas forças. Glória a Ti, Senhor.
Deposito em tuas mãos a fadiga e a luta, as alegrias e desencantos deste dia que ficou para trás.
Se os nervos me traíram, se os impulsos egoístas me dominaram, se dei lugar ao rancor ou à tristeza, perdão, Senhor! Tem piedade de mim.
Se fui infiel, se pronunciei palavras vãs, se me deixei levar pela impaciência, se fui um espinho para alguém, perdão, Senhor! Nesta noite, não quero me entregar ao sono sem sentir sobre a minha alma a segurança de tua misericórdia, tua doce misericórdia inteiramente gratuita, Senhor.
Eu te agradeço, meu Pai, porque foste a sombra fresca que me cobriu durante todo este dia. Eu te agradeço porque - invisível, carinhoso, envolvente - cuidaste de mim como uma mãe, em todas estas horas.
Senhor, ao redor de mim tudo já é silêncio e calma. Envia o anjo da Paz a esta casa. Relaxa meus nervos, sossega o meu espírito, solta as minhas tensões, inunda meu ser de silêncio e de serenidade.
Vela por mim, Pai querido, enquanto eu me entrego confiante ao sono como uma criança que dorme feliz em teus braços.
Em teu nome, Senhor, descansarei tranqüilo. Assim seja.

(Autor: Frei Ignácio Larrañaga, em "Encontro")

quinta-feira, 21 de Novembro de 2013

Seguir Jesus

“Seguir Jesus não significa participar de um cortejo triunfal! Significa partilhar o seu amor misericordioso, entrar na sua grande obra de misericórdia para cada homem e para todos os homens” Papa Francisco 

quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

É Preciso Seguir



Não é suficiente olhar, é preciso seguir! 
E este é o segundo aspecto. Jesus não veio ao mundo para fazer um desfile, para se mostrar. Não veio para isto. Jesus é o caminho, e um caminho serve para caminhar por ele, para o percorrer. Então, desejo antes de mais agradecer ao Senhor o vosso compromisso de segui-lo, também na fadiga, no sofrimento, dentro das paredes de uma prisão. Continuemos a ter confiança n’Ele, proporcionará esperança e alegria ao vosso coração! Quero agradecer-lhe por todos vós que vos dedicais generosamente, aqui em Cagliari e em toda a Sardenha, às obras de misericórdia. Desejo encorajar-vos a prosseguir por este caminho, a ir em frente juntos, procurando conservar antes de tudo a caridade entre vós. Isto é muito importante. Não podemos seguir Jesus pelo caminho da caridade se antes não nos amarmos uns aos outros, se não nos esforçarmos por colaborar, por nos compreendermos e perdoarmos reciprocamente, reconhecendo cada um os próprios limites e erros. Devemos praticar as obras de misericórdia, mas com misericórdia! Com o coração nelas. As obras de caridade com caridade, com ternura e sempre com humildade!

Papa Francisco